O Patrimônio Cultural brasileiro pertence a cada um de nós. Faz parte de nossa história, de nossa identidade e está presente nos prédios, cidades, festas, tradições, documentos, vestígios arqueológicos e paisagens. Seu legado dá ao povo brasileiro o sentido de pertencimento. As manifestações culturais e a memória dão significado aos modos de vida, assim como os registros documentais garantem Direitos e Cidadania. Recebemos uma enorme e rica herança cultural daqueles que vieram antes de nós e temos a responsabilidade de cuidar e fazer com que ela chegue aos que virão depois.
O Fórum de Entidades em Defesa do Patrimônio Cultural Brasileiro foi criado, em outubro de 2019, para resistir às ameaças e ações cometidas pelo governo do pai de um dos atuais candidatos à Presidência da República. Ações, estas, de desmanche das políticas públicas de preservação do patrimônio cultural e do órgão responsável por elas – o IPHAN.
Sete anos depois, o Brasil encontra-se face ao perigo daquela triste atuação se repetir, mas de modo ainda pior. Nas manifestações do candidato do PL e de seus aliados, o patrimônio cultural é desvalorizado e aviltado. O risco para a preservação é evidente, a exemplo da formulação de um Projeto de Lei em trâmite no Congresso que propõe a extinção do IPHAN e da promessa de atacarem a Constituição Federal.
As entidades abaixo assinadas, constituintes do Fórum de Entidades em Defesa do Patrimônio Cultural Brasileiro, compreendem que, para além de questões partidárias, o Brasil corre risco real de ser engolfado por uma política neofascista. Por sabermos que somente um dos projetos de governo inclui e protege o patrimônio cultural brasileiro, defendemos o voto consciente e necessário, em 25 de outubro de 2026, em Luiz Inácio Lula da Silva e seu vice, Geraldo Alckmin. A nosso ver, esse voto é a única opção possível para a manutenção e o desenvolvimento das políticas públicas de preservação do patrimônio cultural brasileiro, contra interesses escusos e pela defesa das instituições, grupos e comunidades que dele dependem e nele se estruturam.
Defender o nosso patrimônio cultural é, portanto, defender a vida, o direito à memória e à história de toda a população do Brasil e garantir a sobrevivência de nossa herança cultural para as futuras gerações.
Brasil, 12 de outubro de 2026.
Assinam este documento:
- ABA – Associação Brasileira de Antropologia
- ABGC – Associação Brasileira de Gestão Cultural
- ANPARQ – Associação Nacional de Pesquisa e Pós-graduação em Arquitetura e Urbanismo
- ANPEGE – Associação Nacional de Pós-Graduação e Pesquisa em Geografia
- ANPUH – Associação Nacional de História
- ASMINC – Associação dos Servidores do Ministério da Cultura
- DOCOMOMO Brasil – Seção Brasileira do Comitê Internacional para a Documentação e Conservação de Edifícios, Sítios e Conjuntos do Movimento Moderno
- FENEA – Federação Nacional dos Estudantes de Arquitetura e Urbanismo
- FNA – Federação Nacional dos Arquitetos e Urbanistas
- FNArq – Fórum Nacional das Associações de Arquivologia do Brasil
- ICOM-BR – Comitê Brasileiro do Conselho Internacional de Museus
- ICOMOS Brasil – Comitê Brasileiro do Conselho Internacional de Monumentos e Sítios
- PALMARES – Centro Palmares de Estudos e Assessoria por Direitos
- próIPHAN – Coletivo de ex-Trabalhadores do Iphan
- SAB – Sociedade de Arqueologia Brasileira
- SBS – Sociedade Brasileira de Sociologia
- TICCIH Brasil – Comitê Brasileiro para a Conservação do Patrimônio Industrial